A Escrita Bamum

10-06-2018

Este tipo de escrita veio dar alma à língua que possui o mesmo nome, e que teve a sua origem na região noroeste dos Camarões onde se destaca a capital, a cidade de Bamenda.

Actualmente, a língua Bamum conta com algumas centenas de milhares de falantes (não existem fontes seguras que nos sustentem um número aproximado - mais de 200.00), sendo que a população dos Camarões está já acima dos 25 milhões. 

Não obstante as línguas nativas deste país se terem desenvolvido principalmente devido à influência de missionários cristãos, a escrita Bamum  foi inventada em finais do século XIX pelo Sultão Ibrahim Njoya, líder máximo do Reino de Bamum.

Njoya foi também responsável pala colectagem de numerosos manuscritos contendo a história de seu povo, e foi desenvolvendo ao longo dos anos esta escrita, de  um sistema pictográfico para um código silábico parcialmente alfabético. No decorrer deste período, acabou por incrementar uma farmacopeia, projectou um calendário, e desenvolveu uma série de leis . Também no plano da educação a liderança do Sultão Njoya deixou as suas marcas, designadamente na construção de   escolas e bibliotecas.

Contudo, e apesar do Bamum ter conhecido uma série de aperfeiçoamentos num curto espaço de tempo, o conhecimento desta escrita permanecia restrita a uma pequena elite que girava à volta do Sultão.

Depois que os Camarões ficaram sob o controlo francês a partir de 1919, muitas bibliotecas e registos foram destruídos,  tendo consequentemente o Bamum caído em desuso. 

Com a independência alcançada em 1960, o filho e herdeiro de Njoya, Seidou Njimoluh, colectou vários manuscritos do Bamum e outros materiais relacionados, que sobreviveram à colonização e colocou-os à disposição do museu de seu pai.

De enaltecer também o papel virtuoso desempenhado pelo cantor camaronês Claude Ndam, um grande ícone da cultura camaronesa, e que é um falante nativo do Bamum, para além de em várias músicas ter utilizado essa mesma língua.

Ao nível da estrutura, o moderno Bamum é escrito da esquerda para a direita. Uma característica interessante é que, às vezes, mais letras do que as necessárias são usadas para escrever determinada sílaba.

Nos nossos dias, existe o "Projeto Bamum Scripts and Archives" que ambiciona reviver a língua e  a escrita Bamum procurando difundi-la principalmente entre os mais jovens.





Miguel Verde - Senior Consultant
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